terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Autopsicografia - Fernando Pessoa




O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

5 comentários:

kris disse...

o coração...esse orgão fundamental..que manda mais que a cabeça..que nos leva ás maiores alegrias..e tristezas...

grande beijo*

Clara disse...

Adoro Fernando Pessoa. Não só a genialidade dos seu poemas, mas também a sua personalidade definida por uma dissociação mental. Pessoa tinha uma grande consciência sobre a sua própria condição mental.Como ele refere no "O Caso Clínico de Fernando Pessoa" de Mário Saraiva, "a origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histeroneurasténico."

Beijinhos

Mél disse...

Como eu costumo dizer "Na própria loucura existe lucidez", ele era um "louco" mt lúcido e está provado nos seus poemas.
*****

Malu disse...

Adoro esse poema...principalmente o inicio.
"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"

beijos

Mél disse...

Tmb gosto muito, mas a minha parte preferida é a última quadra.
"E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração"
:) *****